O Complexo Penitenciário de Alcaçuz voltou a registrar uma fuga nesta terça-feira (8), em mais um episódio que chama atenção para a segurança das unidades prisionais do Rio Grande do Norte. O detento Anderson Stallone Flores dos Santos, de 38 anos, escapou da Penitenciária Estadual de Alcaçuz por volta das 13h31, provocando a mobilização das forças de segurança para as buscas na região.

De acordo com informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (SEAP), a suspeita inicial é de que o preso tenha utilizado a área onde está sendo executada uma obra de ampliação do módulo de saúde para alcançar a estrutura de segurança da unidade. Segundo a secretaria, ele teria conseguido ultrapassar duas linhas de concertina instaladas sobre a muralha. As circunstâncias exatas da fuga ainda estão relacionadas às informações preliminares divulgadas sobre a ocorrência.

O episódio desta terça-feira, porém, ganha uma dimensão maior quando analisado junto ao histórico de ocorrências registradas no complexo ao longo de 2026. Um levantamento realizado a partir das fugas consumadas divulgadas durante o ano aponta que esta é a terceira ocorrência do tipo diretamente relacionada às unidades que integram o Complexo de Alcaçuz, totalizando 17 presos que conseguiram deixar as unidades.

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Três fugas consumadas em 2026

A primeira fuga registrada neste levantamento ocorreu em 2 de maio, quando cinco presos conseguiram escapar da Penitenciária Estadual de Alcaçuz. Na ocasião, os detentos estavam na área de triagem do Pavilhão 1 e utilizaram cordas improvisadas para deixar a unidade.

Pouco menos de três meses depois, em 31 de julho, uma nova ocorrência foi registrada na Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga, que também integra o Complexo de Alcaçuz. Ao todo, 13 internos conseguiram deixar uma cela. Dois deles foram interceptados ainda na área prisional, enquanto outros 11 conseguiram efetivamente deixar a unidade.

Agora, em 8 de setembro, mais um detento conseguiu superar as barreiras de segurança da Penitenciária Estadual de Alcaçuz. Com isso, o levantamento das fugas consumadas no ano chega a três episódios, envolvendo 17 presos.

O balanço é o seguinte:

Maio: 5 presos

Julho: 11 presos

Setembro: 1 preso

Total: 17 presos em três episódios de fuga.

Além das fugas que chegaram a ser consumadas, o complexo também registrou tentativas frustradas ao longo do ano. No fim de agosto, por exemplo, policiais penais localizaram um buraco que estava sendo aberto em uma cela do Pavilhão 4. A descoberta impediu que uma possível nova evasão fosse concretizada.

Diferentes métodos para superar as barreiras

A sequência de ocorrências chama atenção também pela variedade dos mecanismos utilizados ou suspeitos de terem sido utilizados nas tentativas de fuga. Ao longo do ano, houve registro do uso de cordas improvisadas, danos em estruturas de celas e abertura de passagens. No caso mais recente, a suspeita inicial apresentada pela SEAP envolve o aproveitamento da estrutura existente em uma área onde ocorre uma obra de ampliação.

Essa diversidade de situações coloca em evidência diferentes pontos das unidades que podem ser explorados por detentos interessados em deixar o complexo. Uma ocorrência isolada pode representar uma falha pontual, mas a repetição de fugas consumadas em poucos meses, somada às tentativas frustradas, amplia a discussão sobre os procedimentos e as barreiras de segurança existentes em Alcaçuz.

A sequência registrada em 2026 também levanta questionamentos sobre a necessidade de revisão de mecanismos de prevenção e controle. Os episódios ocorreram em circunstâncias diferentes, mas têm em comum a capacidade de alguns presos de encontrar caminhos para superar obstáculos existentes dentro ou no entorno das estruturas prisionais.

Área de obra está entre os pontos investigados

A ocorrência desta terça-feira apresenta uma particularidade em relação aos episódios anteriores. Conforme as informações preliminares divulgadas pela SEAP, Anderson Stallone Flores dos Santos pode ter utilizado a área da obra de ampliação do módulo de saúde para alcançar a muralha e ultrapassar as barreiras de segurança.

Caso essa dinâmica seja confirmada, a utilização de uma área em obras deverá colocar em discussão os procedimentos de segurança adotados durante intervenções físicas em estabelecimentos penitenciários. Obras alteram temporariamente aspectos como circulação, acessos, estruturas e rotinas internas, o que exige cuidados específicos em uma unidade prisional para evitar que mudanças ou estruturas provisórias possam ser aproveitadas como possíveis rotas de evasão.

O caso, portanto, acrescenta um novo elemento ao histórico recente de fugas do complexo e deverá ser analisado dentro das circunstâncias específicas da ocorrência desta terça-feira.

Repetição dos episódios aumenta pressão por respostas

O sistema penitenciário do Rio Grande do Norte passou por mudanças importantes desde a grave crise registrada em Alcaçuz em 2017. Nesse contexto, a sequência de ocorrências observada em 2026 ganha relevância não apenas pelo número de presos que conseguiram deixar as unidades, mas principalmente pela repetição dos episódios em um intervalo relativamente curto.

Foram cinco presos em maio, outros 11 em julho e mais um nesta terça-feira. Entre esses episódios, ainda houve registro de tentativa frustrada de abertura de um buraco em uma cela do Pavilhão 4. Ao todo, o levantamento aponta 17 presos que conseguiram deixar unidades do Complexo de Alcaçuz em três fugas consumadas durante 2026.

Neste momento, além das buscas pelo detento que escapou nesta terça-feira, permanece o desafio de compreender como diferentes vulnerabilidades vêm sendo exploradas dentro do complexo. A sucessão de ocorrências coloca novamente a segurança de Alcaçuz no centro das atenções e reforça a necessidade de respostas sobre as circunstâncias que permitiram cada uma das evasões.

A nova fuga, portanto, não representa apenas mais um registro nas estatísticas do ano. Ela ocorre depois de outros dois episódios consumados e de uma tentativa frustrada, ampliando a pressão sobre os mecanismos de segurança das unidades que formam o complexo penitenciário.

Diante da repetição dos casos, permanece a questão sobre quantas ocorrências ainda serão necessárias para que as fragilidades identificadas em Alcaçuz sejam definitivamente corrigidas.