A confirmação do ex-deputado federal Rafael Motta como ocupante da segunda vaga ao Senado na chapa encabeçada por Cadu Xavier movimentou os bastidores políticos do Rio Grande do Norte e reacendeu debates sobre o desenho eleitoral de 2026.

Após vencer a disputa interna no PDT com base em pesquisas qualitativas de potencial de crescimento, superando o ex-senador Jean Paul Prates, Rafael consolidou espaço dentro do bloco governista ao lado da vereadora natalense Samanda Alves, também cotada para a disputa ao Senado. A governadora Fátima Bezerra acolheu o movimento como forma de fortalecer a base aliada e ampliar o alcance eleitoral da chapa.

Nos corredores políticos, a composição é vista como uma tentativa de equilibrar experiência administrativa, militância partidária e capacidade de diálogo com setores mais moderados do eleitorado.

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O ganho político para Cadu Xavier

Para Cadu Xavier, que deve disputar sua primeira eleição majoritária, a chegada oficial de Rafael Motta representa um reforço estratégico. Embora seja reconhecido pela condução da política fiscal do governo estadual, o ex-secretário ainda busca ampliar seu reconhecimento popular fora dos círculos administrativos.

Nesse cenário, Rafael aparece como um nome capaz de ampliar o alcance da chapa na capital e em segmentos urbanos de classe média, funcionando como elo entre o núcleo governista e setores mais ao centro da política potiguar.

A reconstrução política de Rafael Motta

Nos bastidores, aliados avaliam que a oficialização marca uma retomada política significativa de Rafael Motta. Após terminar em terceiro lugar na disputa ao Senado em 2022 e em quarto na eleição municipal de Natal em 2024, o ex-deputado volta ao centro das articulações estaduais.

A trajetória recente inclui ainda a recuperação de um grave acidente de kitesurfe sofrido no ano passado, episódio que mobilizou apoiadores e aliados políticos. Agora, integrado à federação formada por PT, PV, PCdoB, PSB e PDT, Rafael ganha estrutura para ampliar presença no interior do estado.

Fogo amigo e resistências internas

Apesar da demonstração pública de unidade, a montagem da chapa também gerou desconfortos internos. Lideranças ligadas ao interior do estado avaliam que a composição concentra força política excessiva na Região Metropolitana de Natal, especialmente com os nomes de Rafael Motta e Samanda Alves.

A indicação de Jean Paul Prates para a primeira suplência de Rafael ajudou a conter uma possível crise dentro do PDT, mas não encerrou as críticas de setores mais ideológicos do PT, que defendiam uma chapa exclusivamente ligada à esquerda tradicional.

Nos bastidores, interlocutores admitem preocupação com a possibilidade de dispersão de votos e dificuldade de penetração eleitoral em regiões estratégicas como Oeste e Seridó.

O olhar da oposição

Do lado oposicionista, a união entre Cadu Xavier e Rafael Motta é interpretada como a consolidação do palanque de continuidade da atual gestão estadual.

Aliados do senador Rogério Marinho e do ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra já articulam discursos voltados para questionar a coerência ideológica de Rafael Motta e associar Cadu Xavier aos problemas estruturais enfrentados pelo governo estadual.

A avaliação da oposição é de que a ausência de um nome forte do interior na cabeça da chapa pode abrir espaço para crescimento adversário fora da Grande Natal.

Ezequiel Ferreira e a disputa pela vice

Com a estrutura principal praticamente desenhada, a vaga de vice-governador passou a ser o centro das negociações políticas.

O presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, surge como peça-chave nesse processo. O PSDB, partido comandado por Ezequiel no estado, aparece como favorito para indicar o nome que ocupará a vice na chapa governista.

A movimentação é vista como estratégica tanto para fortalecer a presença da chapa no interior quanto para consolidar a influência política do grupo de Ezequiel dentro da Assembleia Legislativa.

Nos bastidores, interlocutores do governo avaliam que a entrada do PSDB resolveria dois desafios simultaneamente: ampliar a capilaridade eleitoral da chapa junto aos prefeitos tucanos e garantir sustentação política ao projeto de sucessão no Legislativo estadual.

Composição da chapa governista até o momento

  • Governador: Cadu Xavier (PT)
  • Senado – Vaga 1: Samanda Alves (PT)
  • Senado – Vaga 2: Rafael Motta (PDT)
  • Vice-Governador: indicação do PSDB, ligada ao grupo de Ezequiel Ferreira

A expectativa agora gira em torno da definição da vice-governadoria e da capacidade do grupo governista de manter a unidade interna diante da pressão das convenções partidárias e do avanço das articulações da oposição para 2026.