A eleição de 2026 colocou dois irmãos que, durante décadas, estiveram associados à mesma história política diante de caminhos diferentes em Caicó.

De um lado está Vivaldo Costa, o Papa-Jerimum, uma das figuras mais longevas da política do Seridó. Do outro, Bibi Costa, ex-prefeito de Caicó e atualmente candidato a deputado estadual pelo PL.

Bibi decidiu construir uma trajetória eleitoral própria. Em abril, filiou-se ao PL em um ato que contou com a presença de Álvaro Dias e outras lideranças partidárias. A filiação foi apresentada publicamente como um reforço ao projeto de Álvaro para o Governo do Estado.

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A decisão, porém, provocou reação no campo político historicamente associado a Vivaldo.

A pergunta que atravessa a campanha: Bibi abandonou o Papa?

Essa é uma das questões levantadas por Dadá Costa, ex-prefeito de Caicó e irmão de Bibi e Vivaldo.

Dadá deixou o PL em agosto e, em carta pública, atribuiu a decisão a divergências com Álvaro Dias, reafirmando seu alinhamento político com Vivaldo.

Para Dadá, a escolha de Bibi precisa ser analisada à luz da história política da família Costa.

Mas chamar a decisão de Bibi de “abandono” é uma interpretação política de seus críticos, e não um fato objetivo. O fato verificável é que os irmãos passaram a ocupar espaços políticos diferentes nesta eleição.

O prefeito Dr. Tadeu também criticou publicamente a aproximação. Em abril, declarou lamentar que Bibi tivesse se aliado a um grupo que, segundo sua interpretação, não teria contribuído para o retorno de Vivaldo à Assembleia Legislativa.

Álvaro Dias entra no centro dessa história

O movimento de Bibi ganha ainda mais significado porque seu novo aliado é justamente Álvaro Dias, candidato a governador pelo PL.

A relação entre Álvaro e o grupo de Vivaldo também passou por forte desgaste.

Dadá Costa, em carta divulgada no início de setembro, criticou a estratégia de Álvaro em Caicó e retomou a votação para o Tribunal de Contas do Estado como um dos episódios que teriam contribuído para o afastamento.

Outra publicação registrou que Adjuto Dias votou em Gustavo Carvalho naquela disputa pelo TCE, enquanto a eleição de George Soares abriria caminho para Vivaldo retornar à Assembleia.

É nesse contexto que surge uma pergunta política dirigida a Álvaro: como reconstruir sua relação com o eleitorado historicamente ligado a Vivaldo depois desse episódio?

Bibi recusou ser suplente de senador?

Outra questão levantada por Dadá merece esclarecimento público.

Segundo ele, Bibi teria declinado de possibilidades para ocupar uma suplência ao Senado, inclusive em composições competitivas.

A pesquisa realizada para esta reportagem, porém, não encontrou documentação suficiente para confirmar que Bibi tenha recebido e recusado formalmente dois convites, nem para estabelecer as condições em que essas conversas teriam ocorrido.

Há registros de especulações anteriores sobre a possibilidade de Bibi disputar uma suplência ao Senado, mas especulação de bastidor não equivale a convite formal.

Por isso, a pergunta permanece aberta: Bibi recebeu convites para ser suplente de senador? Se recebeu, de quem e por que decidiu disputar uma cadeira na Assembleia?

A resposta deve vir do próprio candidato.

A Passeata do Agricultor coloca todos diante da história

A proximidade da Passeata do Agricultor, marcada para 27 de setembro, aumenta o simbolismo dessa divisão.

Vivaldo confirmou participação no evento, criado por ele e incorporado à tradição política e popular de Caicó. Ao mesmo tempo, Bibi também passou a divulgar a passeata em suas redes sociais.

A situação despertou especulações sobre como Bibi, Vivaldo e Dr. Tadeu participarão de uma mesma manifestação estando atualmente em configurações políticas diferentes.

Mais do que uma fotografia, a passeata poderá mostrar como antigas relações políticas convivem com as novas alianças de 2026.

A “colheita” será medida pelo voto

Dadá recupera ainda uma frase atribuída ao ex-governador Aluízio Alves: “Quem entra na contramão da política dificilmente volta à via da normalidade.”

Ele utiliza a frase para interpretar a decisão tomada por Bibi.

Mas as urnas ainda não deram seu veredicto, e os dados disponíveis recomendam cautela com qualquer conclusão antecipada.

Em pesquisa Media/O Potengi realizada com 500 eleitores de Caicó nos dias 23 e 24 de julho, Bibi registrou 9,2% na pergunta para deputado estadual, Adjuto Dias 8,4% e Ezequiel Ferreira 4%. A margem de erro informada foi de 4,4 pontos percentuais, e 58,6% não souberam ou não responderam, o que impede tratar pequenas diferenças como posições consolidadas. O levantamento foi registrado sob o número RN-03002/2026.

É por isso que a expressão “abandono e colheita”, utilizada pelos críticos, ainda precisa passar pelo julgamento mais importante da política: o voto.

Bibi escolheu outro partido, aproximou-se de Álvaro e decidiu disputar a Assembleia.

Vivaldo encerra sua trajetória eleitoral em outro campo político.

E Caicó decidirá nas urnas qual peso atribui a cada uma dessas escolhas.

No dia 4 de outubro, a verdadeira pergunta não será apenas quem rompeu com quem. Será quanto cada liderança ainda consegue representar do eleitorado e da história política que ajudou a construir.