O Rio Grande do Norte perdeu uma de suas figuras históricas ligadas ao setor produtivo. Morreu aos 84 anos Abelírio Vasconcelos da Rocha, conhecido como Bira Rocha, empresário, agropecuarista e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN).

A trajetória de Bira Rocha foi construída em diferentes áreas da vida econômica e administrativa do Estado. Ao longo de décadas, ele atuou na indústria, na agropecuária, em entidades representativas e na administração pública, tornando-se uma figura conhecida nas discussões relacionadas ao desenvolvimento econômico potiguar.

Sua morte repercutiu entre representantes dos setores empresarial, agropecuário e político, especialmente pela extensão de sua atuação e pela participação em projetos considerados relevantes para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte.

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Oito anos à frente da FIERN

Um dos principais capítulos da trajetória de Bira Rocha esteve relacionado à indústria. Ele presidiu a FIERN entre 1995 e 2003, em dois mandatos consecutivos. Antes de chegar ao comando da Federação, esteve à frente do Sindicato da Indústria Metalúrgica e participou de diretorias e conselhos ligados ao Sistema FIERN.

A atuação institucional também levou Bira a ocupar espaço na Confederação Nacional da Indústria (CNI), onde chegou à vice-presidência. Durante sua passagem pela representação empresarial, esteve envolvido em debates relacionados à modernização do setor produtivo, acesso ao crédito, abertura de mercados e ampliação da participação das empresas potiguares no comércio exterior.

A presença nesses espaços consolidou seu papel como um dos interlocutores do empresariado do Rio Grande do Norte nas discussões sobre economia e desenvolvimento.

Ligação com a agropecuária potiguar

Embora sua imagem tenha sido fortemente associada à indústria, Bira Rocha também manteve uma relação estreita com o setor agropecuário. Como agropecuarista, esteve ligado à Associação Norte-rio-grandense de Criadores (Anorc) e à história da pecuária do Estado.

Essa ligação também esteve presente durante sua atuação na administração pública. Como secretário de Agricultura no governo Geraldo Melo, participou de um período importante para a organização institucional da Festa do Boi e do Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim.

A atuação nos dois segmentos fez com que Bira transitasse entre áreas consideradas importantes para a economia potiguar, mantendo participação tanto nas discussões da indústria quanto nas relacionadas à produção rural.

Da iniciativa privada à administração pública

A experiência empresarial também foi levada para a gestão pública. Ao longo da carreira, Bira Rocha ocupou diferentes funções no Governo do Rio Grande do Norte e passou por áreas consideradas estratégicas da administração estadual.

A passagem entre iniciativa privada e poder público esteve presente em diferentes momentos de sua trajetória. O desenvolvimento econômico era um dos eixos que orientavam sua atuação, com defesa da integração entre infraestrutura, produção, investimentos e capacidade empresarial.

A visão defendida por Bira era de que esses fatores deveriam caminhar conjuntamente para ampliar as oportunidades econômicas e produtivas do Rio Grande do Norte.

Participação nas discussões sobre a transposição do São Francisco

Outro capítulo de grande dimensão na trajetória de Bira Rocha ocorreu durante o governo do presidente Itamar Franco, quando ele ocupou a Secretaria Nacional de Irrigação. Naquele período, o potiguar Aluízio Alves comandava o Ministério da Integração Regional.

Registros históricos de Aluízio Alves apontam Bira Rocha entre os responsáveis pela estrutura que trabalhou nos estudos relacionados ao projeto de transposição das águas do Rio São Francisco.

A proposta seria desenvolvida ao longo das décadas seguintes até a chegada das águas do São Francisco ao Rio Grande do Norte, tornando-se uma das principais obras de infraestrutura hídrica da história do Nordeste.

A defesa da irrigação estava relacionada à própria visão de desenvolvimento de Bira Rocha. Para ele, o acesso à água poderia funcionar como instrumento de transformação do semiárido, estimulando a agricultura irrigada, a geração de empregos e o desenvolvimento regional.

Uma trajetória marcada pelo desenvolvimento potiguar

A carreira de Bira Rocha atravessou diferentes setores e períodos da história econômica do Rio Grande do Norte. Empresário, agropecuarista, presidente da FIERN, vice-presidente da CNI, gestor público e secretário nacional de Irrigação, ele ocupou posições que o colocaram no centro de discussões sobre produção e desenvolvimento.

Em diferentes funções, sua atuação esteve relacionada à busca por alternativas para ampliar a produção, gerar empregos, atrair investimentos e aproveitar as potencialidades econômicas do Estado.

Sua trajetória também acompanhou transformações importantes no setor produtivo potiguar, desde a indústria e a pecuária até os debates sobre infraestrutura hídrica e desenvolvimento do semiárido.

Bira Rocha deixa a esposa, Carmem Lúcia, os filhos Ricardo, Gustavo e Maristela, além dos netos.

Com sua morte, aos 84 anos, o Rio Grande do Norte se despede de um empresário e gestor que dedicou décadas à participação na vida econômica e institucional do Estado. Seu nome permanece associado à história da indústria, da agropecuária, da administração pública e das discussões que marcaram a busca pelo desenvolvimento potiguar.