Neste domingo, Caicó viverá um daqueles dias em que política e tradição praticamente dividem a mesma calçada. De um lado estará a Passeata do Agricultor. Do outro, a Passeata do Trabalhador. Os dois atos terão concentrações e percursos diferentes, conforme planejamento realizado com a Semutran e as representações das campanhas.

E o caicoense provavelmente vai acordar com a pergunta clássica:

“E você vai para qual passeata?”

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Na Passeata do Agricultor, o personagem histórico será Vivaldo Costa, o Papa-Jerimum.

A mobilização foi criada por Vivaldo em 1972 e atravessou mais de cinco décadas. Para 2026, os organizadores apresentam a participação do Papa em clima de despedida de uma tradição diretamente ligada à sua trajetória pública.

Vivaldo deverá estar acompanhado pelos irmãos Dadá, Bosco e Tarcísio Costa, além de Dr. Tadeu e outras lideranças.

Mas, no meio de tantos nomes conhecidos, existe um personagem que não precisa de mandato para ser protagonista: o agricultor.

É o homem e a mulher do campo, quem planta, cria, enfrenta a seca e mantém viva uma parte fundamental da identidade econômica e cultural do Seridó. A importância histórica da manifestação motivou inclusive a apresentação de proposta na Assembleia Legislativa para reconhecê-la como Patrimônio Cultural Imaterial do RN.

Do outro lado da cidade... segure as rédeas!

Enquanto isso, a Passeata do Trabalhador terá concentração no Marizão, no bairro Samanaú, a partir das 16h, com participação anunciada de Álvaro Dias e Adjuto Dias. O percurso segue em direção ao centro e termina com concentração na região do Coreto.

Segundo a composição informada para a mobilização, Bibi Costa, Zeca Diabo e Lobão estarão à frente da turma.

E aí Caicó entrega um roteiro que dificilmente um redator conseguiria inventar:

Bibi, Zeca Diabo e Lobão numa passeata com cavalos e burros pelo Seridó.

Se isso fosse título de filme, provavelmente seria:

“Era uma vez no Oeste... de Caicó.”

Tem candidato, tem ex-prefeito, tem deputado, tem eleitor, tem cavalo e tem burro.

E certamente haverá algum animal no meio daquela multidão pensando:

“Eu só vim caminhar. Não me coloquem em pesquisa eleitoral.”

Até o trânsito ficou neutro

Para organizar as duas manifestações, foram definidos percursos separados.

A Passeata do Agricultor terá concentração na Avenida Coronel Martiniano, entre o Jerimum do Castelo Branco e a ASSEC, passando pelas ruas Celso Dantas e Renato Dantas e pela Avenida Seridó.

A Passeata do Trabalhador sai do Marizão, passa pela RN-288 e pelas avenidas Dr. Rui Mariz, Dr. Carlindo Dantas, Coronel Martiniano e Seridó.

Ou seja:

até o trânsito decidiu não entrar na discussão política.

Cada grupo segue por um lado.

Domingo é dia de Caicó

No fim das contas, serão duas manifestações políticas, mas também duas expressões de uma tradição que atravessa gerações.

De um lado, o Papa-Jerimum reencontrando a Passeata do Agricultor, cercado de familiares, aliados, agricultores, cavaleiros, amazonas e famílias.

Do outro, a Passeata do Trabalhador, com Álvaro, Adjuto e lideranças locais.

Uns vão caminhando.

Outros vão montados.

Muitos ficarão nas calçadas.

E haverá aquele caicoense que vai aparecer nas duas e, quando perguntarem onde estava, responderá:

“Na política não. Fui só olhar o movimento.”

No domingo, Caicó vai respirar política.

O Papa de um lado. Bibi, Zeca Diabo e Lobão do outro. E o povo nas ruas.

Só vale lembrar uma diferença:

cavalo segue as rédeas. Eleitor escolhe sozinho o seu caminho.