Em meio à semana decisiva no Congresso Nacional sobre o projeto do governo federal que propõe o fim da escala 6x1, o debate também ganhou força na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. O tema, que envolve a redução da jornada de trabalho e possíveis mudanças no modelo atual de contratação, dividiu opiniões entre deputados estaduais de diferentes partidos.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Coronel Ezequiel (PL), defendeu cautela no debate e pediu que a discussão não seja transformada em pauta eleitoral.

“Esperamos e torcemos aqui, enquanto Assembleia Legislativa, que lá no Congresso as pessoas possam discutir, não sob o ponto de vista, sob o prisma da eleição de outubro, para não transformar isso numa matéria eleitoral, buscando que o Brasil seja cada vez mais um lugar próspero. Que essa discussão da escala 6x1 ou 4x3, como apresentaram os deputados federais do PL, seja séria e profunda e que eles lá no Congresso busquem a melhor solução”, afirmou.

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Já o líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Francisco do PT, se posicionou favoravelmente ao fim da escala 6x1 e classificou a medida como uma conquista histórica para os trabalhadores.

“O meu posicionamento é completamente favorável ao fim da escala 6x1. Eu acho que é uma conquista importante para a classe trabalhadora desse país. Diversos outros países do mundo já fizeram isso. Lamento profundamente que ainda tenha uma parcela do parlamento brasileiro, representada inclusive por parlamentares aqui do RN, que se opõem a uma conquista tão importante como essa”, declarou.

O deputado Nelter Queiroz (PP) também manifestou apoio à proposta após ouvir trabalhadores em diversas regiões do estado.

“Olha, eu estive escutando os trabalhadores, com quem eu tenho muita aproximação, trabalhadores simples, humildes, que realmente acham interessante esse PL e por isso sou a favor do fim da escala 6x1. Eu acho que é justo que esses trabalhadores realmente tenham esse direito”, disse.

Na oposição ao projeto, o deputado Luiz Eduardo (PL) criticou a proposta e afirmou que o debate vem sendo conduzido de forma precipitada em um período eleitoral.

“É uma matéria que tem que ser mais discutida. É muito preocupante, porque o país atravessa grandes problemas econômicos, há empresas indo embora, encerrando seus serviços, empresa demitindo... e num momento dessa dificuldade, ano também de eleição, querer aprovar uma matéria dessa, eleitoreira, às pressas, eu acho que é uma irresponsabilidade. Eu acho que poderia implantar o pagamento dos funcionários e dos trabalhadores brasileiros por hora. Quem quiser trabalhar menos, vai trabalhar menos, mas também vai ganhar menos”, argumentou.

Impacto econômico divide opiniões

O debate também envolve preocupações sobre os impactos econômicos da possível mudança na jornada de trabalho. Um estudo do Instituto Fecomércio do Rio Grande do Norte aponta que a redução da carga horária para 40 horas semanais e a adoção da escala 5x2 podem gerar um custo adicional de aproximadamente R$ 3 bilhões por ano e provocar a eliminação de cerca de 7.800 empregos no estado.

Com base nesses números, Luiz Eduardo reforçou sua posição contrária à proposta.

“Sou contra qualquer tipo de projeto de lei que venha trazer mais peso para a classe que produz nesse país e nesse Estado. Esse projeto, em ano eleitoral, vai quebrar o país e vai quebrar muitas empresas. Isso vai ser um tiro no pé”, afirmou.

Em resposta, Francisco do PT rebateu os argumentos apresentados por setores empresariais e relembrou debates semelhantes em outras conquistas trabalhistas no Brasil.

“Nós já ouvimos isso quando outros direitos para a classe trabalhadora foram apresentados. Diziam a mesma coisa quando foi criado o FGTS. Existem estudos que comprovam que essa redução não provocará esses supostos prejuízos que uma parte do empresariado tem dito”, declarou.

Enquanto o tema avança no Congresso Nacional, o debate segue mobilizando parlamentares, empresários e trabalhadores em todo o país, especialmente diante dos possíveis impactos sociais e econômicos que a mudança pode provocar.

FONTE/CRÉDITOS: BNewsrn