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A desistência de Dra. Júlia Almeida da disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte mexeu com os bastidores da política potiguar e trouxe uma nova questão para a Federação PSDB/Cidadania: quantos deputados estaduais o grupo conseguirá eleger em 2026?
Em uma eleição proporcional, cada candidatura contribui para a votação total da federação. Por isso, a saída de um nome com presença política e territorial pode alterar diretamente as contas da nominata.
A situação ganha ainda mais peso porque Dra. Júlia não foi a única baixa. O ex-prefeito de Nova Cruz, Flávio de Beroi, também deixou a disputa.
PSDB perde força na soma
Dra. Júlia tinha como principais ativos políticos sua ligação com Parelhas e o Seridó, além da estrutura do grupo liderado pelo prefeito Dr. Tiago Almeida.
Mesmo com sua votação ainda em construção, a pré-candidata representava um potencial de votos importante para a soma geral da federação.
Na eleição proporcional, não basta contar com candidatos fortes individualmente. Para conquistar quatro ou cinco cadeiras, a nominata precisa alcançar uma votação coletiva robusta.
Com duas desistências, aumenta a responsabilidade dos demais candidatos para compensar os votos que poderiam ser acrescentados ao grupo.
Quem ganha com a desistência?
Fora da Federação PSDB/Cidadania, um dos nomes que pode ser beneficiado é Kaline de Dr. Bernardo (PV).
Informações divulgadas nos bastidores apontam para a possibilidade de Dra. Júlia e o prefeito Dr. Tiago anunciarem apoio à candidatura de Kaline.
Se o movimento for confirmado, Kaline poderá incorporar uma estrutura política importante em Parelhas e ampliar sua presença eleitoral no Seridó.
Dentro do próprio PSDB, porém, também existe um efeito positivo para alguns candidatos.
Com menos nomes disputando prefeitos, vereadores e bases eleitorais, os principais integrantes da nominata podem concentrar mais apoios.
Ou seja, a federação perde na soma geral, enquanto alguns candidatos podem ganhar individualmente.
Quem está mais forte no PSDB?
Neste momento, cinco nomes aparecem no núcleo principal da disputa interna da Federação PSDB/Cidadania: Ezequiel Ferreira, Cristiane Dantas, Gustavo Soares, Ériko Jácome e Taveira Júnior.
Ezequiel Ferreira está em uma situação diferenciada. Presidente da Assembleia Legislativa e com bases políticas espalhadas pelo Rio Grande do Norte, aparece atualmente como um dos nomes mais fortes da nominata.
Cristiane Dantas possui mandato e uma estrutura eleitoral consolidada.
Gustavo Soares, ex-prefeito de Assú, mantém uma base importante no Vale do Açu e articulações em outros municípios.
Ériko Jácome, presidente da Câmara Municipal de Natal, entra na disputa com uma estrutura significativa na capital e presença crescente na Região Metropolitana.
Taveira Júnior também não pode ser subestimado. Ele já possui mandato e mantém uma base eleitoral importante principalmente em Parnamirim e na Grande Natal.
Logo atrás estão nomes que podem crescer durante a campanha, como Léo Souza, Expedito Ferreira e Cleiton da Policlínica, entre outros integrantes da nominata.
Pesquisas mostram o primeiro pelotão
Um dos levantamentos recentes que ajudam a visualizar a disputa é a pesquisa Difusora/ITEM, realizada entre os dias 10 e 14 de agosto.
Na pesquisa espontânea para deputado estadual, alguns dos principais nomes da federação apareceram com os seguintes percentuais:
- Ezequiel Ferreira: 4,68%;
- Cristiane Dantas: 1,50%;
- Gustavo Soares: 1,12%;
- Ériko Jácome: 0,88%;
- Taveira Júnior: 0,30%.
A pesquisa espontânea, entretanto, deve ser interpretada com cautela. A disputa proporcional ainda apresenta um número elevado de eleitores sem candidato definido, enquanto candidaturas com votação regionalmente concentrada podem aparecer abaixo de sua força eleitoral efetiva.
Quantos deputados o PSDB poderá eleger?
Antes das desistências, havia análises apontando que a Federação PSDB/Cidadania teria condições de disputar quatro cadeiras e, em um cenário bastante favorável, buscar uma quinta vaga.
Com as baixas recentes, a matemática ficou mais apertada.
Uma leitura prudente coloca atualmente a federação principalmente em uma faixa de três a quatro deputados estaduais.
Se fizer três cadeiras, Ezequiel aparece como o nome mais consolidado, enquanto as demais vagas devem provocar uma disputa intensa principalmente entre Cristiane Dantas, Gustavo Soares, Ériko Jácome e Taveira Júnior.
Caso conquiste quatro cadeiras, quatro desses cinco principais nomes poderão ocupar vagas na Assembleia.
Para chegar ao quinto deputado, entretanto, a federação precisará de uma excelente votação coletiva, inclusive com o desempenho dos candidatos intermediários da nominata.
O jogo das sobras será decisivo
Outro componente fundamental será a distribuição das sobras eleitorais.
Por isso, não basta analisar apenas a votação individual dos favoritos. A federação também precisa considerar quantos votos seus candidatos intermediários conseguirão acrescentar ao conjunto.
Candidatos capazes de produzir cinco, dez ou quinze mil votos podem fazer diferença na soma final e determinar se uma nominata termina com três, quatro ou cinco cadeiras.
É justamente nesse ponto que as desistências passam a preocupar.
Dra. Júlia representava um potencial eleitoral no Seridó, enquanto Flávio de Beroi possuía sua própria estrutura no Agreste.
Agora, esses votos precisarão ser compensados pelos demais integrantes da nominata.
Ezequiel terá que refazer as contas
A nominata construída sob a liderança de Ezequiel Ferreira continua competitiva e reúne candidatos com mandato, estrutura e bases regionais importantes.
A conta, porém, mudou.
A possibilidade de quatro deputados continua concreta. A quinta cadeira, por outro lado, passa a depender ainda mais da capacidade da federação de manter sua nominata, ampliar a votação dos candidatos intermediários e evitar novas baixas.
Por isso, a principal pergunta nos bastidores talvez nem seja quem ocupará as primeiras posições.
É outra: Dra. Júlia foi a última desistência ou novas baixas ainda poderão acontecer?
Se a nominata permanecer estabilizada, o PSDB/Cidadania continua forte na disputa por três ou quatro cadeiras e poderá sonhar com a quinta.
Mas, se candidatos com densidade eleitoral continuarem deixando o grupo, a matemática poderá mudar novamente.
Na eleição proporcional, cada voto conta. E, no PSDB, a disputa agora não é apenas para saber quem será eleito, mas até onde a nominata de Ezequiel conseguirá chegar.
Publicado por:
Redação Portal V360
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