O bispo Edir Macedo voltou a ocupar espaço de destaque no noticiário nacional nesta terça-feira (23), após a deflagração da Operação Miragem, conduzida pela Polícia Federal. Segundo os investigadores, o líder religioso seria o controlador do Banco Digimais, alvo de apuração sobre supostas fraudes contábeis. A investigação levou ao bloqueio judicial de bens que podem chegar a R$ 670 milhões.

O caso reacendeu o debate sobre a trajetória de Macedo, responsável pela criação de um dos maiores grupos religiosos e de comunicação do país.

Da origem humilde ao comando da Universal

Nascido em 1945, no Rio de Janeiro, Edir Macedo iniciou sua atuação pública nos anos 1970. Casado com Ester Bezerra, é pai de Cristiane Cardoso e Moisés Macedo, que também participam dos negócios da família.

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Em 1977, fundou a Igreja Universal do Reino de Deus, que cresceu rapidamente e se tornou uma das maiores denominações neopentecostais do mundo. Hoje, a instituição reúne milhões de fiéis e mantém templos em diversos países. Um dos marcos dessa expansão foi a inauguração do Templo de Salomão, em São Paulo, em 2014, considerado uma das maiores estruturas religiosas do Brasil.

Expansão para mídia e setor financeiro

Além da atuação religiosa, Macedo construiu um amplo conglomerado empresarial. O principal passo ocorreu no fim da década de 1980, com a aquisição da Rede Record. Sob sua liderança, o grupo expandiu-se para televisão, rádio, editoras e plataformas de notícias.

Nos últimos anos, o bispo também passou a investir no mercado financeiro, tornando-se o principal nome associado ao Banco Digimais, agora alvo da operação da Polícia Federal.

Polêmicas e processos ao longo da trajetória

A trajetória de Edir Macedo também foi marcada por episódios judiciais e controvérsias públicas. Em 1992, ele foi preso e permaneceu detido por 11 dias sob acusações de estelionato, charlatanismo e curandeirismo. O caso teve grande repercussão nacional, mas as acusações acabaram sendo arquivadas pela Justiça.

Em 2009, o Ministério Público de São Paulo denunciou Macedo e integrantes da cúpula da Igreja Universal por suposta lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. O processo teve desdobramentos ao longo de vários anos.

Mais recentemente, em 2024, a Justiça Federal do Rio Grande do Sul condenou o religioso, em primeira instância, ao pagamento de indenização por danos morais coletivos. A decisão foi motivada por declarações consideradas homofóbicas exibidas em rede nacional durante um programa de televisão no fim de 2022.

O que investiga a Operação Miragem

A Polícia Federal apura se o Banco Digimais teria ocultado perdas bilionárias por meio de operações envolvendo fundos de investimento. As investigações buscam esclarecer se houve manipulação de informações financeiras para mascarar prejuízos da instituição.

Até o momento, a defesa de Edir Macedo, do Banco Digimais e dos demais executivos citados na investigação não havia sido localizada para comentar as suspeitas.