O município de São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Natal, deu mais um passo para ampliar sua participação na chamada economia verde. O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do RN (Idema) concedeu licença de instalação para um empreendimento destinado à produção de hidrogênio e amônia verdes na cidade.

A autorização ambiental representa uma etapa necessária para a implantação física da planta. A concessão da licença, no entanto, não significa que a unidade já esteja em funcionamento nem que todas as etapas futuras do empreendimento tenham sido concluídas.

O projeto ganha importância por estar inserido em um setor considerado estratégico para a transição energética. O hidrogênio verde é produzido por meio da eletrólise da água utilizando eletricidade proveniente de fontes renováveis, evitando as emissões de carbono associadas às formas convencionais de produção baseadas em combustíveis fósseis.

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No Rio Grande do Norte, a ampla disponibilidade de energia eólica e solar cria condições para o desenvolvimento dessa nova cadeia produtiva, que busca justamente aproveitar a geração renovável para ampliar atividades industriais e agregar valor à produção energética.

São Gonçalo amplia vocação industrial

A localização de São Gonçalo do Amarante também é um dos fatores que chamam atenção no projeto. O município está próximo ao Aeroporto Internacional de Natal, de rodovias e da Região Metropolitana, além de apresentar possibilidade de integração com outros empreendimentos dos setores energético e industrial.

Essa posição logística coloca São Gonçalo em uma condição relevante nas discussões sobre a atração de novos investimentos. Uma planta voltada à produção de hidrogênio e amônia verdes também pode movimentar diferentes segmentos durante sua implantação e operação, incluindo construção, montagem industrial, manutenção, engenharia, logística e prestação de serviços.

Os impactos efetivos sobre a economia local, entretanto, dependerão de fatores como o porte final do empreendimento, o cronograma de implantação e as contratações que forem realizadas ao longo do processo.

RN busca avançar na economia do hidrogênio

O Rio Grande do Norte já ocupa posição de destaque nacional na geração de energia eólica. A partir dessa capacidade instalada, um dos desafios apontados é aproveitar a disponibilidade de energia renovável para estimular a industrialização e aumentar o valor agregado produzido dentro do próprio Estado.

É nesse cenário que o hidrogênio verde aparece como uma possibilidade de expansão da cadeia energética potiguar. Além de aplicações industriais, o hidrogênio pode ser utilizado como insumo na produção de amônia verde, que possui interesse para segmentos como fertilizantes, indústria química e transporte marítimo.

A licença concedida pelo Idema representa, portanto, um avanço no processo de implantação do empreendimento, mas não encerra todas as etapas ambientais e operacionais necessárias para a conclusão do projeto.

Para São Gonçalo do Amarante e para a Grande Natal, a iniciativa acrescenta um novo elemento à discussão sobre desenvolvimento econômico. A proposta envolve transformar o potencial energético do Rio Grande do Norte em atividades industriais, investimentos, serviços e oportunidades de trabalho.

A próxima etapa será acompanhar o cronograma de implantação, os investimentos efetivamente confirmados e a capacidade do empreendimento de produzir impactos econômicos no município e no Estado.