A política muda, as alianças acabam, mas a memória permanece. A decisão do ex-prefeito de Caicó, Bibi Costa, de apoiar Nina Souza para deputada federal coloca no centro do debate uma antiga parceria política e levanta uma pergunta nos bastidores: onde ficou a gratidão a João Maia?

A política do Seridó é marcada por alianças, rompimentos e mudanças de lado. Mas alguns movimentos acabam despertando uma palavra especialmente pesada no ambiente político: ingratidão.

É sob essa perspectiva que o apoio de Bibi Costa à candidatura de Nina Souza merece ser debatido.

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Por que Nina Souza?

Nina Souza chega à disputa buscando construir espaço eleitoral em Caicó, município onde ainda precisa ampliar sua identificação política e eleitoral.

É justamente nesse contexto que a decisão de Bibi provoca questionamentos. Por que Nina Souza?

Mas existe uma pergunta ainda maior: e João Maia?

A antiga parceria com João Maia

João Maia foi aliado de Bibi Costa e destinou emendas e recursos para Caicó ao longo de sua trajetória política.

Caso seja confirmado documentalmente o peso desses recursos nas administrações de Bibi, esse histórico torna a atual mudança de apoio ainda mais significativa do ponto de vista político.

É nesse cenário que surge a palavra que Bibi provavelmente terá de enfrentar durante a campanha: ingratidão.

Ingratidão porque a política também tem memória. Ingratidão porque aliados de ontem acompanham as escolhas de hoje. E ingratidão porque, quando um parlamentar abre portas e direciona recursos para uma administração, cria-se uma relação política que naturalmente será lembrada em uma nova eleição.

A escolha é livre, mas gera questionamentos

É evidente que Bibi Costa não tem obrigação de apoiar eternamente João Maia. O voto e o apoio político são escolhas livres.

Também podem existir razões políticas, eleitorais ou pessoais para a mudança de posição que ainda não foram apresentadas publicamente.

Por isso, seria incorreto transformar a afirmação de que “Bibi é ingrato” em um fato jornalístico sem ouvir sua versão.

Mas é absolutamente legítimo fazer perguntas sobre a decisão:

Bibi Costa esqueceu João Maia?

O que Nina Souza fez por Caicó para conquistar um apoio tão importante?

O que aconteceu entre Bibi e João Maia?

E onde termina a renovação das alianças e começa a chamada ingratidão política?

A memória do eleitor

As velhas raposas costumam dizer que a política é território fértil para a ingratidão. Talvez seja exagero. Talvez não.

Mas uma coisa parece certa: no Seridó, a política pode até mudar de lado, mas a memória do eleitor não necessariamente muda junto.

Se Bibi Costa não explicar politicamente essa escolha, adversários certamente poderão tentar transformar uma palavra em sobrenome eleitoral:

Bibi Costa: o “ingrato do Seridó”?

O ponto de interrogação é indispensável. A resposta pertence a Bibi e, principalmente, ao eleitor de Caicó.

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