A mulher de 44 anos presa após agredir a própria filha, de 16 anos, e cortar o cabelo da adolescente em um caso que ganhou grande repercussão nas redes sociais vai responder ao processo em liberdade. A decisão foi concedida pela Justiça, que determinou o cumprimento de medidas cautelares enquanto as investigações continuam. O caso aconteceu no bairro Nossa Senhora da Apresentação, na Zona Norte de Natal, e tramita em segredo de Justiça por envolver uma vítima menor de idade.

Francisca Lopes da Silva foi presa em flagrante na madrugada desta quarta-feira (15), após ser localizada pela Polícia Civil durante diligências iniciadas depois da divulgação das imagens. A investigação continua sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA/Natal).

Na decisão que autorizou a liberdade provisória, a Justiça determinou o cumprimento de medidas cautelares. Entre elas estão a proibição de deixar a comarca por mais de 15 dias sem autorização judicial e a obrigação de comparecer a todos os atos do processo sempre que for intimada.

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Investigação segue sob sigilo

Após a repercussão do caso, equipes da Guarda Municipal de Natal foram acionadas por meio do Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp). A adolescente foi encaminhada, acompanhada do pai e do irmão, para um serviço especializado de acolhimento, onde recebeu atendimento.

Antes da prisão, a mulher afirmou que agiu para disciplinar a filha por acreditar que ela estaria mentindo e seguindo "o caminho errado". Segundo ela, a intenção era corrigir o comportamento da adolescente, e não praticar maus-tratos.

A Polícia Civil informou que o procedimento instaurado será concluído após o andamento das investigações. Dependendo do entendimento da autoridade policial e do Ministério Público, a mulher poderá responder por crimes como maus-tratos, lesão corporal ou tortura.

Pesquisa aponta permanência da violência na educação infantil

O caso reacendeu o debate sobre a violência contra crianças e adolescentes no ambiente familiar. Levantamento do Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis), em parceria com a Quaest, mostra que, embora 91% dos brasileiros defendam o diálogo como principal forma de educar, práticas violentas ainda fazem parte da realidade de muitas famílias.

De acordo com a pesquisa, 49% dos entrevistados afirmaram já ter dado tapas em crianças, enquanto 27% admitiram utilizar objetos para agredi-las. O estudo também revelou que 65% dos brasileiros sofreram agressões físicas durante a infância, indicando a repetição desses padrões entre gerações.

A Polícia Civil reforçou que, por se tratar de uma vítima adolescente, imagens e informações que possam identificá-la não devem ser divulgadas, em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e para preservar sua integridade e dignidade.