O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso de forte tom político neste sábado (12), durante um ato realizado em Curitiba (PR), no qual abordou a atuação dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao falar sobre a responsabilidade de quem ocupa uma cadeira na mais alta Corte do país, Lula afirmou que o cargo não deve ser utilizado como caminho para enriquecimento. “Ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico”, declarou o presidente.

Cargo exige comportamento exemplar

Lula comparou a função exercida pelos ministros do STF a um “sacerdócio”. Na avaliação do presidente, justamente pelo peso das decisões tomadas pelo tribunal, que possuem caráter irrecorrível e definitivo dentro da estrutura institucional, os magistrados precisam manter uma conduta “acima da média da sociedade”.

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O presidente também ressaltou que qualquer possível irregularidade deve ser apurada rigorosamente pelas autoridades responsáveis.

As declarações acontecem em um momento de aumento da tensão institucional envolvendo o caso Banco Master e as acusações trocadas entre integrantes do próprio Supremo sobre condutas relacionadas às investigações.

Lula contou ainda que conversou com o presidente do STF, Edson Fachin, para defender que os sigilos dos processos sejam retirados integralmente. A intenção, segundo ele, é impedir que documentos e relatórios sejam divulgados apenas parcialmente.

Presidente questiona divulgação de documentos

Sem mencionar diretamente o ministro André Mendonça, Lula criticou a maneira como determinados documentos das investigações foram disponibilizados nos últimos dias.

O presidente condenou o que chamou de “seletividade” na divulgação dos inquéritos e afirmou ser inadequado que um juiz relator apresente apenas “matérias pinçadas” de acordo com conveniências específicas.

Lula também manifestou apoio à abertura completa dos procedimentos relacionados à Operação Compliance Zero. A posição coincide com reivindicações feitas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e por outros ministros do STF.

Mandato fixo volta ao debate

Outro ponto defendido por Lula foi a criação de um período determinado para o exercício do cargo de ministro do Supremo.

O presidente já havia manifestado apoio à ideia no início do ano. Agora, voltou a defender a mudança, em um momento em que o tema também ganhou espaço nas discussões do Congresso Nacional.

Investigações alcançam políticos

A discussão sobre a retirada dos sigilos ocorre após informações de diferentes investigações do caso Banco Master se tornarem públicas.

Entre os documentos divulgados estão informações sobre o senador Flávio Bolsonaro e sua participação na articulação de recursos privados com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar uma cinebiografia de Jair Bolsonaro.

As investigações da Polícia Federal também envolvem o senador piauiense Ciro Nogueira. A PF apura possíveis vantagens indevidas e despesas de luxo realizadas no exterior que teriam sido custeadas pelo Banco Master.

Os procedimentos ainda alcançam outros nomes ligados ao governo e aos estados, entre eles o líder governista Jaques Wagner (PT-BA) e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro.

No caso de Castro, a apuração envolve uma transferência de R$ 3,6 bilhões do Rioprevidência para o banco.