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Mais de duas semanas após o assalto que colocou novamente a segurança da Praia da Pipa no centro das discussões, moradores, trabalhadores, empresários e visitantes ainda buscam respostas sobre o que efetivamente mudou nas ruas do destino turístico.
Na madrugada de 5 de setembro, cinco turistas que voltavam de uma festa em um veículo de transporte por aplicativo foram abordados por criminosos que estavam em duas motocicletas e um carro. Segundo os relatos divulgados, pelo menos três integrantes do grupo estavam armados. Os criminosos levaram joias, e uma das vítimas sofreu um ferimento leve. O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil.
A ocorrência teve repercussão entre empresários e representantes do setor turístico. No dia 9 de setembro, integrantes da ABIH-RN, empresários de Pipa e representantes do trade se reuniram com o secretário estadual de Segurança Pública, coronel Araújo, e integrantes das forças de segurança. Na ocasião, a principal cobrança foi por mais prevenção, inteligência e presença policial permanente, e não somente por operações realizadas após ocorrências criminosas.
Operações policiais foram intensificadas
Desde o episódio, houve novas ações das polícias Civil e Militar na região, incluindo fases da Operação Liberdade. No dia 15 de setembro, uma ação conjunta das duas corporações prendeu dois homens apontados pelas investigações como responsáveis por pontos de tráfico em Pipa.
Já no dia 22 de setembro, outra fase da operação terminou com a prisão de um homem e uma mulher investigados por envolvimento com grupos criminosos, homicídios e tráfico no município de Tibau do Sul.
As operações demonstram que ações policiais estão sendo realizadas na região. No entanto, a varredura realizada pelo Visão 360 até 23 de setembro não encontrou divulgação oficial informando quantos policiais adicionais foram destinados especificamente a Pipa, quantas novas viaturas passaram a atuar no destino ou quais horários receberam reforço.
Também não foi localizado um cronograma público detalhando uma estratégia permanente de policiamento ostensivo na região.
Na reunião realizada com empresários, a informação divulgada foi de que a Secretaria de Segurança assumiu o compromisso de fortalecer as ações de inteligência e as operações. Naquele momento, porém, não foram apresentados números sobre efetivo adicional nem um cronograma público fechado.
Essa diferença é relevante porque o combate ao crime organizado por meio de operações e a presença ostensiva cotidiana nas áreas turísticas são frentes complementares, mas não representam a mesma atuação.
Segurança precisa ser percebida nas ruas
A dinâmica de Pipa também exige atenção específica no planejamento da segurança. O destino recebe uma população flutuante significativa em determinados períodos e mantém intensa movimentação durante a madrugada.
Restaurantes, bares, festas, pousadas, hotéis, motoristas de aplicativo e outros trabalhadores continuam em atividade quando boa parte das cidades já reduziu a circulação. Por isso, o planejamento precisa considerar os horários de saída de festas, os acessos ao distrito, as áreas de hospedagem, os pontos de embarque e desembarque e os trechos com menor movimento.
O setor turístico defendeu justamente que a resposta ao problema não fique limitada a episódios pontuais. A reivindicação apresentada ao Governo do Estado foi pela adoção de uma política permanente de prevenção, inteligência e atuação policial.
Quais mudanças já chegaram às ruas?
Com o avanço das operações, o debate sobre segurança em Pipa passou a envolver uma questão mais específica: quais medidas anunciadas após o assalto já podem ser percebidas na rotina do destino?
Entre os pontos que ainda precisam ser esclarecidos estão o número de policiais que atuavam em Pipa antes e depois do episódio, a existência de reforço durante as madrugadas, a quantidade de viaturas disponíveis e as áreas que receberam patrulhamento adicional.
Também permanecem questões sobre a existência de um planejamento especial para fins de semana, feriados e alta estação, além da integração entre câmeras públicas e privadas e de quando o eventual reforço preventivo passará a funcionar de maneira permanente.
São informações objetivas que podem mostrar como os compromissos assumidos após o episódio estão sendo aplicados nas ruas de Pipa.
O destino é uma das principais vitrines turísticas do Rio Grande do Norte, e a segurança envolve não apenas os visitantes, mas também moradores, trabalhadores e toda a cadeia econômica formada por hotéis, pousadas, restaurantes, comércio, transporte e serviços.
As ações policiais começaram a aparecer por meio das operações realizadas na região. O próximo ponto é tornar transparente e mensurável o reforço preventivo e ostensivo prometido para as ruas de Pipa.
Publicado por:
Redação Portal V360
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