Uma transferência via Pix no valor de R$ 10 mil passou a ser uma das principais linhas de investigação no caso do atentado contra o vereador e policial militar Cabo Deyvison, ocorrido em Mossoró. A movimentação financeira foi identificada em um dos celulares apreendidos com suspeitos presos por participação no crime.

Os investigados foram identificados como José Antônio da Costa e Vinícius Gabriel. A descoberta chamou a atenção das autoridades e pode representar um avanço significativo na apuração do caso, que resultou na morte do assessor parlamentar Alyson Dyego e deixou o vereador ferido.

Celular danificado revelou transferência

De acordo com o comandante da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, coronel Alarico Azevedo, a informação surgiu durante a operação que resultou na prisão dos suspeitos no Ceará.

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Segundo o oficial, os investigados tentaram destruir os aparelhos celulares ao perceberem a aproximação dos policiais. Apesar da tentativa, um dos dispositivos ficou com a tela travada em uma notificação bancária, permitindo a visualização de uma transação no valor de R$ 10 mil.

“O aparelho permaneceu congelado em uma notificação referente a um Pix de R$ 10 mil, o que chamou a atenção dos investigadores”, explicou o coronel.

Até o momento, não foi informado se o valor foi enviado ou recebido pelo suspeito, nem quem participou da operação financeira.

Polícia busca rastrear origem e destino do dinheiro

Os celulares apreendidos já foram encaminhados para análise da Polícia Civil, responsável por aprofundar as investigações sobre a movimentação bancária.

A expectativa é descobrir quem realizou a transferência, para quem o dinheiro foi destinado e se existe ligação direta entre a quantia movimentada e o atentado.

Segundo Alarico Azevedo, apenas o valor da transação pôde ser identificado inicialmente. Informações mais detalhadas dependerão da perícia técnica e de medidas judiciais que poderão ser adotadas ao longo da investigação.

Dinheiro pode indicar participação de outros envolvidos

Os investigadores trabalham com diferentes hipóteses sobre a finalidade da transferência.

Uma das possibilidades é que o valor tenha sido utilizado para remunerar executores do crime. Outra linha de apuração considera que o dinheiro possa estar relacionado à logística da ação, incluindo despesas com transporte, hospedagem, alimentação e deslocamento dos suspeitos.

Também não está descartada a hipótese de que a quantia tenha sido movimentada após o atentado para facilitar fuga, ocultação de envolvidos ou apoio operacional aos suspeitos.

Quebra de sigilo pode ampliar investigação

Para obter mais detalhes sobre a movimentação financeira, a Polícia Civil deverá solicitar autorização judicial para acessar informações bancárias e telemáticas ligadas à transação.

Caso a Justiça autorize o procedimento, as instituições financeiras poderão fornecer uma série de dados relevantes para o inquérito, entre eles:

• Identificação dos titulares das contas;

• Histórico de movimentações bancárias;

• Extratos financeiros;

• Registros dos dispositivos utilizados;

• Endereços de acesso aos aplicativos bancários;

• Informações de geolocalização relacionadas às operações.

Em casos de grande repercussão e envolvendo crimes violentos, a entrega dessas informações costuma ocorrer com prioridade.

Investigação financeira pode revelar mandantes

Além dos depoimentos e demais provas já reunidas, o rastreamento do dinheiro é considerado fundamental para o avanço das investigações.

A Polícia Civil acredita que a identificação da origem dos recursos poderá apontar a existência de intermediários, financiadores e até possíveis mandantes do atentado.

Por isso, a transferência de R$ 10 mil passou a ser tratada como uma das evidências mais importantes surgidas até agora no caso, que mobiliza forças de segurança do Rio Grande do Norte e do Ceará.

PM prende terceiro suspeito ligado ao atentado

Na última quarta-feira (17), a Polícia Militar do Rio Grande do Norte informou a prisão de dois homens durante uma operação em Mossoró.

Um deles é apontado como o motorista do veículo utilizado na ação criminosa e suspeito de participação direta no atentado contra Cabo Deyvison. O outro homem que estava com ele também foi detido.

Durante a operação, os policiais apreenderam duas armas de fogo. A confirmação de eventual utilização do armamento no crime dependerá dos resultados da perícia.

As autoridades ainda investigam qual teria sido o papel desempenhado pelo segundo suspeito preso na ocorrência.

Caso provocou grande repercussão no estado

O atentado aconteceu na noite da última segunda-feira (15), em frente a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Mossoró, enquanto Cabo Deyvison realizava uma transmissão ao vivo pelas redes sociais.

O vereador foi atingido nas pernas e permaneceu internado em estado estável. Já o assessor Alyson Dyego de Oliveira Morais, de 37 anos, foi baleado nas costas e morreu ainda no local.

Logo após o ataque, equipes policiais localizaram um veículo abandonado e apreenderam um carregador de fuzil que pode ter ligação com a ocorrência.