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Álvaro Dias encerrou seu ciclo à frente da Prefeitura de Natal deixando obras concluídas, outras em andamento e um patrimônio político que ficou evidente na eleição municipal de 2024.
Quando chegou a hora de escolher seu sucessor, Álvaro não ficou em cima do muro. Rompeu politicamente com Carlos Eduardo, de quem havia sido vice-prefeito, e decidiu apoiar Paulinho Freire.
A aposta deu resultado nas urnas. Paulinho terminou o primeiro turno com 44,08% dos votos válidos e venceu o segundo turno com 55,34%.
Seria incorreto atribuir aquela vitória exclusivamente a Álvaro. Havia partidos, vereadores, lideranças e uma ampla coalizão em torno da candidatura.
Mas também seria difícil contar a história daquela eleição apagando o papel político do então prefeito.
E daí nasce uma pergunta que hoje merece ser feita em Natal: onde está, em 2026, toda aquela força política que Álvaro colocou nas ruas em 2024?
Em 2024, Álvaro entrou no jogo e o jogo mudou
Carlos Eduardo começou aquela disputa como um nome eleitoralmente competitivo. Álvaro, porém, escolheu outro caminho.
Foi para as ruas, participou da campanha de Paulinho e colocou seu grupo político naquele projeto.
Paulinho venceu.
Dois anos depois, o candidato é o próprio Álvaro.
E aí aparece o paradoxo: por que aquela musculatura política ainda não aparece com a mesma intensidade quando o projeto eleitoral é do próprio Álvaro?
Campanhas proporcionais milionárias e a majoritária
Talvez seja justamente aqui que a conta fique mais interessante.
Quem acompanha a eleição percebe candidaturas proporcionais com estruturas robustas, equipes nas ruas, publicidade, mobilização e recursos significativos.
Pelas regras eleitorais de 2026, uma candidatura a deputado federal no Rio Grande do Norte pode gastar até R$ 3,17 milhões, enquanto uma candidatura a deputado estadual pode chegar a R$ 1,27 milhão.
Isso não significa que todas sejam milionárias ou que atingir o teto seja irregular. Significa apenas que há espaço legal para campanhas proporcionais de grande dimensão financeira e operacional.
E daí surge uma pergunta inevitável: se existem campanhas proporcionais milionárias dentro do mesmo tabuleiro político, quanto dessa estrutura está efetivamente trabalhando também para fortalecer a candidatura de Álvaro ao Governo?
Os carros, equipes, lideranças, mobilização digital, material e presença territorial das proporcionais estão empurrando a majoritária com a mesma intensidade?
Ou cada um já está cuidando prioritariamente do próprio voto?
Não é acusação. É uma pergunta política.
Quem carrega quem?
Álvaro tinha força própria em 2024 ou parte daquela força pertencia às estruturas políticas que circunstancialmente caminhavam com ele?
Os aliados que receberam seu apoio na sucessão municipal estão entregando agora a mesma intensidade ao projeto de Álvaro?
E mais: se algumas campanhas proporcionais conseguem colocar estruturas milionárias nas ruas, por que a candidatura ao Governo transmite a impressão de que poderia ter uma presença política ainda maior em Natal?
Talvez exista uma diferença fundamental entre 2024 e 2026.
Naquela eleição, muitos interesses convergiam para conquistar a Prefeitura.
Agora, cada candidato proporcional também precisa sobreviver eleitoralmente.
E política costuma revelar suas prioridades quando chega a hora de dividir estrutura, recursos e votos.
E agora aparece 2028
O cenário ganhou mais tempero com uma publicação do portal O Potiguar, que colocou no debate uma eventual reforma administrativa na Prefeitura depois das eleições e uma possível revisão dos espaços ocupados pelo grupo político de Álvaro.
A publicação relaciona esses movimentos de bastidores à sucessão municipal de 2028.
É fundamental separar as coisas: bastidor não é decisão oficial. A publicação não comprova rompimento entre Paulinho e Álvaro nem significa que determinada reforma já esteja decidida.
Mas o assunto produz uma pergunta inevitável: por que 2028 já estaria entrando na conversa antes mesmo de 2026 terminar?
Se existe preocupação com a estrutura que Álvaro mantém na Prefeitura e com aquilo que poderá fazer politicamente daqui a dois anos, então talvez a eleição estadual seja apenas uma parte de um tabuleiro maior.
A aliança de 2024 tem prazo de validade?
Paulinho recebeu o apoio de Álvaro.
O grupo ligado à administração anterior manteve participação na nova gestão.
Agora, Álvaro precisa dos aliados.
Então vale perguntar: a aliança permanece com a mesma força?
Uma eventual reforma depois da eleição seria simplesmente administrativa ou poderia representar uma redistribuição do poder político dentro da Prefeitura?
E por que uma eleição que acontecerá somente em 2028 já provoca conversas em 2026?
Política também tem memória
É impossível discutir tudo isso sem lembrar de Carlos Eduardo.
Álvaro fez uma escolha importante em 2024. Rompeu politicamente com o antigo aliado e apostou em outro projeto.
A aposta venceu.
Mas política possui uma particularidade: uma vitória nem sempre distribui seus dividendos igualmente entre todos que participaram dela.
Por isso cabe perguntar: quem ganhou mais politicamente com 2024?
Álvaro?
Paulinho?
Os vereadores?
Os partidos?
Os grupos que conquistaram espaços na Prefeitura?
E agora, quando Álvaro precisa transformar aquele capital político em votos para governador, quantos desses dividendos estão voltando para ele?
Tem boi na linha?
Talvez seja cedo para dizer.
Não há elementos suficientes para afirmar rompimento, traição ou abandono político.
Mas existem perguntas suficientes para acompanhar os próximos movimentos.
Em 2024, Álvaro ajudou a construir uma coalizão capaz de vencer uma eleição municipal extremamente disputada.
Em 2026, precisa demonstrar quanto daquela musculatura continua efetivamente mobilizada em torno de seu projeto.
E, quando vemos campanhas proporcionais milionárias circulando pelo Estado, a pergunta fica ainda mais inevitável: quanto dessa força está sendo compartilhada com a candidatura majoritária?
Ou 2026 já virou, para alguns grupos, uma ponte para 2028?
Se Álvaro avançar politicamente, como ficará sua relação com o grupo de Paulinho?
Se o resultado eleitoral não for o esperado, haverá realmente uma reforma na Prefeitura?
Seu grupo perderá espaços?
Quem estará com quem em 2028?
E o rompimento com Carlos Eduardo, que em 2024 terminou associado a uma vitória, poderá ser reinterpretado futuramente à luz do destino político do próprio Álvaro?
Não existem respostas definitivas.
Publicado por:
Redação Portal V360
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