A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (15) que se sente “um pouco até envergonhada” diante da atenção que o país vem dando às questões relacionadas ao tribunal a menos de 20 dias das eleições.

A declaração foi feita durante uma sessão do Supremo marcada por divergências entre ministros e pela discussão de processos envolvendo integrantes da Corte.

Ministra fala em “profunda consternação”

Durante sua manifestação, Cármen Lúcia afirmou estar vivendo um momento de “profunda consternação e tristeza” em relação à situação atual do Supremo.

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Segundo a ministra, seu sentimento não estava ligado somente ao tema que estava sendo analisado durante a sessão, mas também à repercussão dos acontecimentos envolvendo o tribunal.

Cármen Lúcia relatou que chegou à sessão abatida e que um colega chegou a perguntar se ela estava aborrecida. De acordo com a ministra, sua resposta foi que estava triste.

Em seguida, afirmou que o Supremo, por exercer a função de guardião da Constituição, teria contribuído para um “mal-estar cívico” entre os brasileiros nos últimos dias.

Proximidade das eleições preocupa ministra

Ao abordar o período eleitoral, Cármen Lúcia disse considerar preocupante que o debate público esteja concentrado em assuntos internos do Supremo quando faltam menos de 20 dias para as eleições.

Apesar da crítica, a ministra reconheceu que parte das questões discutidas pela Corte envolve temas graves e assuntos processuais considerados relevantes.

“Eu me sinto um pouco até envergonhada, presidente, de, no momento em que o Brasil está a menos de 20 dias da eleição, estarmos todos voltados a questões do Supremo”, declarou durante a sessão.

Cármen Lúcia destaca que fala é pessoal

A ministra também deixou claro que sua manifestação representava uma posição pessoal. Segundo ela, cabe ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, apresentar a posição institucional da Corte.

Cármen Lúcia afirmou ainda que o Judiciário precisa transmitir tranquilidade à população. Ela reconheceu que, como cidadã e magistrada, poderia ter feito mais para contribuir com um ambiente de serenidade.

Sessão teve divergências entre ministros

A fala ocorreu durante uma sessão do STF que tratava de questões envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.

O encontro foi marcado por divergências entre integrantes do tribunal e por discussões relacionadas à condução dos processos.

Durante sua manifestação, Cármen Lúcia também criticou o nível de exposição pública envolvendo o Supremo e defendeu que a Corte mantenha rigor, serenidade e independência em sua atuação.

A ministra ressaltou ainda que decisões judiciais não devem ficar submetidas à pressão popular.

Ao final, Cármen Lúcia reconheceu que poderia ter adotado uma postura diferente para ajudar a preservar a serenidade dentro do tribunal. A declaração ocorreu em uma sessão que teve repercussão nacional devido às divergências entre integrantes do STF.