O ex-prefeito de Caicó e ex-deputado estadual Dadá Costa divulgou uma carta aberta à população de Caicó na qual faz uma análise crítica da estratégia política do ex-prefeito de Natal e candidato ao Governo do Estado, Álvaro Dias. Usando o futebol como metáfora, Dadá afirma que uma escolha feita durante a votação para uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) teria provocado um afastamento entre o grupo de Álvaro e o ex-deputado Vivaldo Costa.

Na avaliação apresentada na carta, o principal erro teria ocorrido quando o deputado estadual Adjuto Dias, filho de Álvaro, votou em Gustavo Carvalho na disputa pela vaga no TCE-RN. Para Dadá, caso Adjuto tivesse apoiado George Soares, eleito para o Tribunal de Contas, a decisão poderia ter contribuído para abrir espaço para Vivaldo Costa assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa e cumprir aquele que poderia ser seu último mandato parlamentar.

George Soares venceu Gustavo Carvalho e assumiu a vaga no Tribunal de Contas. Com a saída de Soares da disputa parlamentar, Vivaldo Costa retornou à Assembleia Legislativa. Segundo Dadá, entretanto, o voto decisivo para a vitória de George veio de Nelter Queiroz, nos momentos finais da votação, e não de Adjuto Dias.

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Crítica à estratégia de Álvaro Dias

Para Dadá Costa, a escolha de Adjuto Dias representou uma oportunidade perdida de aproximação política com Vivaldo Costa. O ex-prefeito argumenta que, se o deputado tivesse apoiado George Soares, poderia ter contribuído para fortalecer uma relação política capaz de beneficiar a candidatura de Álvaro Dias ao Governo do Estado nas eleições de 2026.

“Foi uma substituição errada. Uma leitura equivocada do jogo”, afirma Dadá na carta, ao avaliar a decisão tomada durante a disputa pela vaga no TCE-RN. Na visão do ex-prefeito, Vivaldo poderia hoje estar entre os principais defensores da candidatura de Álvaro dentro do cenário eleitoral de Caicó.

Dadá também destaca a trajetória política de Vivaldo Costa e seu peso eleitoral no Seridó. Ele compara o ex-deputado a um jogador versátil, afirmando que Vivaldo seria um “coringa da política potiguar”, capaz de atuar em diferentes posições e construir alianças políticas conforme os interesses de Caicó.

Vivaldo Costa e o peso político em Caicó

Na carta, Dadá reconhece que Vivaldo Costa construiu uma trajetória de décadas na política potiguar, acumulando diversos mandatos e participando da formação de uma das famílias com maior presença eleitoral na história do Seridó. Para ele, independentemente de avaliações positivas ou negativas sobre Vivaldo, seu peso político não pode ser ignorado.

O ex-prefeito afirma que Álvaro Dias teria cometido um erro ao não colocar Adjuto Dias para atuar politicamente ao lado de Vivaldo durante a votação. Segundo sua avaliação, a decisão acabou deixando de lado uma liderança que poderia contribuir para a candidatura ao Governo do Estado em uma disputa que terá Allyson Bezerra e Cadu Xavier entre os adversários citados.

Dadá compara a situação a uma decisão equivocada de um treinador que retira de campo um dos jogadores mais experientes do elenco. Na sequência, critica a estratégia de Álvaro de apostar no ex-prefeito Bibi Costa como candidato a deputado estadual.

Bibi Costa também é citado na análise

Dadá afirma ter respeito por Bibi Costa, a quem chama de irmão, assim como Vivaldo. O ex-prefeito reconhece a trajetória de Bibi e destaca que ele integra a família Costa. Entretanto, considera que Bibi não teve o mesmo protagonismo eleitoral e a mesma capacidade de articulação política de Vivaldo.

Segundo a avaliação apresentada na carta, os dois mandatos de Bibi como prefeito foram construídos dentro de um projeto político no qual Vivaldo Costa teve participação decisiva. Por isso, Dadá considera equivocada uma estratégia eleitoral que tenha Bibi como peça importante, mas não coloque Vivaldo no centro da articulação política de Álvaro em Caicó.

Para o ex-prefeito, os efeitos dessa escolha podem ultrapassar a disputa local e alcançar a articulação política mais ampla em torno da candidatura de Álvaro Dias. Ele cita, nesse contexto, nomes como Rogério Marinho, Paulinho Freire, Tomba Farias e Gustavo Carvalho, além de outros integrantes desse campo político.

Eleição de 2026 entra em fase decisiva

Na parte final da carta, Dadá Costa afirma que o cenário eleitoral de 2026 começa a entrar em uma fase decisiva. Ele cita o movimento de Allyson Bezerra para ampliar sua presença no interior e a tentativa de Cadu Xavier de transformar a força política do presidente Lula e de seus aliados em crescimento eleitoral.

Para Dadá, Álvaro Dias terá o desafio de consolidar suas bases justamente em regiões nas quais esperava encontrar maior familiaridade política. Em Caicó, segundo sua avaliação, o cenário teria ficado mais complexo após as escolhas feitas durante a disputa pela vaga no Tribunal de Contas.

O ex-prefeito encerra a carta defendendo que ainda há tempo para reorganizar a estratégia política, mas afirma ser necessário reconhecer os erros antes que seja tarde. Para ele, uma eleição, assim como um campeonato de futebol, não é vencida apenas pela força do nome, mas pela capacidade de montar um elenco, definir uma estratégia, conhecer o campo e reconhecer quem possui liderança e capacidade de decidir.

“Porque uma substituição errada pode custar três pontos. Mas, numa eleição, pode custar o campeonato inteiro.”

Dadá Costa

Ex-prefeito de Caicó e ex-deputado estadual.