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NATAL — As movimentações de bastidores nos principais blogs de política e redes sociais indicam que a disputa pelas duas vagas do Rio Grande do Norte no Senado Federal entrou em uma fase de alta voltagem e polarização. O tabuleiro eleitoral sofreu uma forte reorganização após a recente confirmação de que a governadora Fátima Bezerra (PT) cumprirá o mandato até o fim, abrindo espaço para novos arranjos e obrigando partidos de esquerda, centro e direita a recalcular suas estratégias para o pleito de outubro.
O cenário atual desenha um embate direto entre blocos ideológicos consolidados, mas carrega um grande ponto de interrogação no meio empresarial que promete mexer com as engrenagens da oposição.
Esquerda busca herdar o espólio governista
Com a ausência de Fátima Bezerra na disputa direta ao Senado, o campo progressista trabalha para canalizar o voto do eleitorado alinhado ao governo estadual.
A vereadora de Natal e primeira suplente de deputada federal, Samanda Alves (PT), desponta como a principal aposta orgânica do Partido dos Trabalhadores. Ela vem pontuando bem nos bastidores e tenta herdar o recall da militância tradicional.
Correndo no mesmo campo, o ex-deputado Rafael Motta (PDT) oficializou sua pré-candidatura trazendo um fato novo que movimentou as redes sociais: o ex-senador Jean Paul Prates deve compor a sua chapa como suplente, apostando em um formato de “mandato compartilhado” para atrair o eleitorado de centro-esquerda.
Por fora, siglas como PSOL e PSTU, com nomes como Sandro Pimentel e Rosália Fernandes, buscam consolidar o voto da esquerda ideológica em chapas puras.
Direita aposta no favoritismo e divide o voto conservador
O bloco de oposição e de centro-direita entra na corrida impulsionado por bons desempenhos nas sondagens internas de consumo partidário.
O atual senador Styvenson Valentim (Podemos) lidera as primeiras intenções de voto divulgadas por analistas locais. Após optar por buscar a reeleição — deixando o palanque do Governo do Estado sob a liderança de Álvaro Dias —, Styvenson consolida-se hoje como o nome a ser batido na briga pela primeira vaga.
Outra movimentação de peso foi protagonizada pela senadora Zenaide Maia (PSD). Embora mantenha sua atuação em Brasília alinhada à vice-liderança do governo federal, no plano estadual Zenaide selou uma aliança estratégica com o ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), costurando apoios com oligarquias tradicionais para tentar renovar o mandato pelo centro.
Correndo pela direita conservadora, o Coronel Hélio (PL) surge como a aposta do partido de Jair Bolsonaro e Rogério Marinho no estado, tentando capitalizar o voto do eleitorado bolsonarista raiz.
O “Enigma Flávio Rocha”: fator surpresa ou voo solo?
A grande incógnita que domina as discussões políticas no RN gira em torno do empresário Flávio Rocha, proprietário da Riachuelo.
Filiado ao Partido Novo, Rocha transferiu recentemente seu domicílio eleitoral de volta para o Rio Grande do Norte. O movimento é apontado pelo presidente estadual da sigla, Renato Cunha, como o maior indicativo prático de que o empresário deseja entrar no jogo. O argumento do partido é que uma liderança do setor produtivo desse porte não faria a mudança burocrática sem a real intenção de concorrer ao Senado.
Apesar do barulho digital e do forte interesse de caciques como José Agripino em atraí-lo para uma grande composição, a candidatura de Flávio Rocha ainda é vista com cautela por analistas políticos devido a dois fatores:
- Ritmo de pré-campanha: O empresário mantém uma agenda discreta e ainda não iniciou caravanas constantes pelo interior ou grandes atos na capital.
- Isolamento partidário: Caso os principais grupos da direita mantenham o foco nas candidaturas de Styvenson e Coronel Hélio, Flávio Rocha pode ser forçado a disputar em uma chapa pura pelo Novo, sem o suporte de grandes coligações tradicionais.
As próximas semanas e as convenções partidárias serão decisivas para definir se a incógnita em torno de Flávio Rocha se materializará em uma candidatura competitiva nas urnas ou se o empresário permanecerá atuando apenas como um influente articulador dos bastidores econômicos potiguares.
Publicado por:
Redação Portal V360
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