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A madrugada de 25 de fevereiro de 1984 permanece viva na memória dos potiguares como um dos episódios mais dolorosos da história do Rio Grande do Norte. O caso ficou conhecido como Tragédia do Baldo, quando um ônibus invadiu um bloco carnavalesco na região do Baldo, entre os bairros do Alecrim e Cidade Alta, em Natal, provocando uma das maiores tragédias já registradas no estado.
Segundo os registros oficiais, 19 pessoas morreram e 12 ficaram gravemente feridas após o coletivo atingir integrantes da banda e foliões do tradicional bloco Puxa-Saco, que desfilava pelas ruas da capital. O ônibus percorreu dezenas de metros atropelando participantes do carnaval, deixando um cenário de destruição que marcou definitivamente a história da cidade.
As investigações concluíram que o motorista do ônibus, Aluízio Farias Batista, conduzia o veículo em alta velocidade. Conforme o processo judicial, ele teria se irritado após ser informado de que precisaria fazer uma viagem extra durante o expediente. Após colidir com um automóvel, o ônibus perdeu a trajetória e invadiu o desfile carnavalesco. A perícia da época concluiu que não havia falha mecânica nos freios, direcionando a investigação para a conduta do motorista.
Logo após o acidente, Aluízio fugiu do local. Dias depois, chegou a prestar depoimento às autoridades, mas desapareceu novamente, permanecendo foragido por décadas. Em 2009, foi julgado à revelia e condenado a 21 anos de prisão pelos homicídios decorrentes da tragédia.
Em 2021, houve ampla divulgação de que um homem em situação de rua teria sido preso como sendo Aluízio Farias Batista. Entretanto, exames de identificação realizados pelo Instituto Técnico-Científico de Perícia (ITEP) demonstraram que o detido não era o motorista condenado, e ele acabou sendo liberado.
Agora, em 2026, a Polícia Civil do Rio Grande do Norte informou o cumprimento de um mandado de prisão definitiva contra Aluízio Farias Batista, em ação conjunta com a Polícia Civil de Mato Grosso, encerrando uma longa busca pelo condenado. Segundo a corporação, ele deverá cumprir a pena imposta pela Justiça em razão da tragédia que chocou o estado há mais de quatro décadas.
A Tragédia do Baldo é considerada um divisor de águas para o carnaval natalense. O episódio provocou mudanças profundas na forma como a festa passou a ser organizada na capital e permanece como uma das maiores lembranças de luto da história do Rio Grande do Norte.
Publicado por:
Redação Portal V360
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