Espaço para comunicar erros nesta postagem
A economia do Rio Grande do Norte apresentou, em julho, dois movimentos bastante distintos. Enquanto o turismo potiguar retomou o ritmo de crescimento e alcançou o melhor resultado mensal entre os estados pesquisados pelo IBGE, a indústria aprofundou sua retração e passou a acumular uma queda de 12,4% no ano.
Segundo dados divulgados pelo IBGE, o volume das atividades turísticas no Rio Grande do Norte cresceu 9,9% em julho, na comparação com junho, considerando a série com ajuste sazonal. O resultado colocou o estado na liderança entre as 17 unidades da Federação acompanhadas pela pesquisa.
O desempenho também foi expressivo na comparação com julho de 2025. Nesse recorte, o turismo do RN avançou 11,4%, o segundo maior crescimento do país, ficando atrás apenas da Bahia.
Turismo volta a ganhar força
O resultado de julho ganha importância porque representa uma mudança na trajetória observada nos meses anteriores. O setor vinha registrando três meses consecutivos de retração, com queda de 0,6% em abril, 0,1% em maio e 3,7% em junho.
Com a reação registrada em julho, o turismo voltou a apresentar um desempenho positivo, embora os números acumulados indiquem um crescimento mais moderado ao longo do ano. Entre janeiro e julho, a expansão foi de 1,7%. Já no acumulado de 12 meses, o crescimento chega a 2,1%.
O desempenho do setor tem impacto sobre uma série de atividades ligadas ao fluxo de visitantes. Hotelaria, bares e restaurantes, transporte, comércio e outros serviços relacionados ao turismo estão entre os segmentos que podem sentir os efeitos da movimentação do setor.
O resultado, portanto, reforça a importância do turismo para a economia potiguar e mostra uma capacidade de recuperação depois de três meses de resultados negativos.
Indústria cai 4,5% e liga o alerta
Enquanto o turismo apresentou uma forte reação em julho, a indústria potiguar seguiu em direção oposta.
A produção industrial do Rio Grande do Norte recuou 4,5% em julho, na comparação com o mesmo mês de 2025. De acordo com os dados do IBGE, foi o terceiro pior resultado entre os estados pesquisados, ficando à frente apenas de Maranhão, com queda de 6,3%, e Pará, com retração de 8,9%.
O cenário se torna ainda mais preocupante quando analisado o acumulado de 2026. Entre janeiro e julho, a produção industrial do estado registra queda de 12,4%, a maior retração entre os estados pesquisados individualmente pelo IBGE nesse período.
Nos 12 meses encerrados em julho, a indústria potiguar também permanece no campo negativo, acumulando recuo de 8,1%.
Os números mostram que a dificuldade enfrentada pelo setor não se limita a um resultado isolado de julho. A retração aparece tanto no acumulado do ano quanto no período de 12 meses.
Petróleo pesa no resultado
Entre os segmentos que ajudam a explicar o desempenho negativo da indústria potiguar está o de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis. A atividade acumula retração de 23,8% entre janeiro e julho.
A fabricação de produtos alimentícios também apresenta queda no acumulado de 2026, com recuo de 6,9%. Já as indústrias extrativas registraram retração de 2%.
Apesar do cenário predominantemente negativo, há um destaque positivo dentro da indústria potiguar. A fabricação de artigos do vestuário e acessórios acumula crescimento de 43,1% em 2026.
O resultado mostra que o comportamento da indústria não é uniforme entre os diferentes segmentos. Enquanto algumas atividades enfrentam retrações expressivas, outras apresentam crescimento e ajudam a criar pontos de resistência dentro do setor.
Duas economias andando em direções diferentes
Os indicadores divulgados para julho colocam em evidência dois movimentos distintos da economia do Rio Grande do Norte.
De um lado, o turismo demonstrou capacidade de reação e registrou um crescimento de 9,9% em relação ao mês anterior, alcançando o maior avanço mensal entre os estados pesquisados pelo IBGE. De outro, a indústria acumula queda de 12,4% no ano e mantém uma trajetória que exige atenção.
Os números não colocam turismo e indústria como atividades que precisam disputar espaço. Ao contrário, uma economia estadual mais equilibrada depende do fortalecimento de diferentes setores produtivos.
O turismo movimenta serviços, renda e empregos, enquanto a indústria agrega produção, cadeias de fornecedores, investimentos e postos de trabalho ligados à transformação e à produção.
Por isso, os dois indicadores precisam ser analisados em conjunto. O crescimento do turismo representa uma notícia positiva para o Rio Grande do Norte, mas a retração industrial acumulada ao longo do ano aponta para um desafio que não pode ser ignorado.
A questão que fica para os próximos meses é entender o que está provocando uma queda industrial tão forte no estado e quais medidas poderão ser adotadas para interromper essa trajetória.
Publicado por:
Redação Portal V360
O Portal V360 é uma plataforma jornalística dedicada a levar notícias de qualidade, com foco em informação precisa e atualizada.
Nossas notícias
no celular
